
Há uma pergunta que me persegue há mais de vinte anos: como aceitar a ansiedade quando percebo que ela nunca vai desaparecer por completo? Durante muito tempo tentei lutar contra ela, controlá-la, escondê-la. Hoje sei que a resposta não está em vencê-la, está em aprender a viver ao lado dela sem que ela decida tudo por mim.
Não escrevo isto como quem já resolveu o problema. Escrevo como quem ainda sente o coração a acelerar em dias normais, mas que já não entra em pânico só por sentir isso. E foi só depois de anos de tentativa e erro que finalmente comecei a entender como aceitar a ansiedade, em vez de continuar a lutar contra ela todos os dias.
O que significa, na prática, aceitar a ansiedade
Aceitar a ansiedade não é gostar dela, nem fingir que ela não existe. É parar de gastar toda a energia a tentar apagá-la e começar a gastar essa energia a viver. Foi isto que percebi depois de anos a acreditar que só seria feliz no dia em que a ansiedade desaparecesse de vez.
Esse dia nunca chegou, e foi precisamente aí que comecei a mudar. Foi também aí que percebi que aprender como aceitar a ansiedade não é um destino, é um caminho que se percorre todos os dias.
A diferença entre aceitar e desistir
Uma das maiores confusões que já tive foi pensar que aceitar era o mesmo que desistir de lutar. Não é. Continuo a fazer terapia, continuo a cuidar de mim, continuo a ter dias maus. A diferença é que já não trato a ansiedade como uma inimiga que preciso de destruir para poder viver. Trato-a como algo que faz parte de mim, tal como faz parte de milhões de pessoas que vivem com transtorno de ansiedade generalizada.
O dia em que percebi que ia ser assim para sempre
Lembro-me perfeitamente do momento. Estava a sair de uma consulta e o psicólogo disse-me uma frase que me custou a engolir: “Jorge, provavelmente vais lidar com isto para o resto da vida, a pergunta é como.” Na altura senti-me a cair. Hoje sei que foi a frase mais honesta que alguém me disse, e foi o ponto de partida para eu aprender como aceitar a ansiedade em vez de continuar a fugir dela.
Foi depois disso que comecei a estudar os efeitos da ansiedade a longo prazo no corpo e na mente, não para me assustar mais, mas para entender contra o que realmente estava a lidar.
Como comecei a aceitar viver com TAG a longo prazo
Não foi da noite para o dia, foi um processo lento, feito de recaídas e pequenas vitórias. Uma das coisas que mais me ajudou foi trocar a pergunta “como me livro disto” por “como vivo com isto”. Essa mudança de foco tem um nome em psicologia, chama-se flexibilidade psicológica, e é a base da Terapia de Aceitação e Compromisso, uma abordagem que me ajudou bastante a entender como aceitar a ansiedade sem me render a ela.
Também percebi que muito do meu sofrimento vinha de tratar cada desafio como um problema insuperável, quando podia começar a encará-lo como um desafio que fazia parte da minha vida, não o centro dela.
Passos que me ajudaram a aceitar a ansiedade no dia a dia
Se estás a tentar descobrir como aceitar a ansiedade, o que resultou para mim foi nomeá-la em vez de a ignorar, dizer a mim próprio “estou ansioso agora” em vez de fugir da sensação, e continuar a fazer as coisas que importam mesmo sentindo desconforto, em vez de esperar sentir-me bem primeiro.
O que fazer quando a aceitação parece impossível
Há dias em que nada disto parece fazer sentido e a ansiedade volta a mandar. Nesses dias, o que me ajuda é lembrar-me que aceitar não é um estado permanente, é uma prática que se repete todos os dias, muitas vezes várias vezes no mesmo dia. Se sentires que sozinho não estás a conseguir descobrir como aceitar a ansiedade, procurar apoio psicológico não é fracasso, é o passo mais inteligente que podes dar. Abordagens como as praticadas em espaços especializados em ansiedade e flexibilidade psicológica têm mostrado resultados sólidos nesta área.
Perguntas frequentes sobre como aceitar a ansiedade
Aceitar a ansiedade significa que vou deixar de sentir medo?
Não. Aceitar não elimina o medo, muda a forma como reages a ele. Continuas a sentir ansiedade, mas ela deixa de controlar todas as tuas decisões.
Quanto tempo demora a aceitar viver com ansiedade a longo prazo?
Não há um prazo fixo. Para mim foram anos de trabalho, terapia e tentativa e erro. Cada pessoa tem o seu ritmo para aprender como aceitar a ansiedade.
Aceitar a ansiedade substitui a terapia ou a medicação?
Não. Aceitação é uma atitude e uma prática, não um tratamento isolado. Muitas pessoas, incluindo eu, precisam de acompanhamento profissional para chegar lá.
É normal recair depois de já ter aceitado a ansiedade?
Sim, e é mais comum do que se imagina. Aceitar não é uma linha reta, tem dias bons e dias em que sentes que voltaste ao início.
Como sei se estou a aceitar a ansiedade ou só a ignorá-la?
Se estás a viver a tua vida mesmo sentindo ansiedade, estás a aceitar. Se estás a fingir que ela não existe e a evitar tudo o que a desperta, estás a evitar, não a aceitar.
Se sentes que a tua ansiedade também não vai desaparecer, não estás sozinho nisto. Partilha a tua experiência nos comentários.
Isto é a minha experiência, não um conselho clínico. Precisas de ajuda? Linha SNS 24: 808 24 24 24.
