
Quando falo de espiritualidade, não falo necessariamente de religião ou de Deus. Falo de fé no sentido mais simples: acreditar. Acreditar que há algo maior do que o momento de ansiedade que estou a viver, que há sentido para além do medo, que amanhã pode ser diferente de hoje.
Neste artigo do Diário de um Ansioso, partilho como a ansiedade e espiritualidade se cruzam na minha vida, ao lado de tudo o resto que já fiz, terapia, respiração, exercício.
O que a espiritualidade significa para mim
Não é uma prática religiosa formal. É mais um espaço interior de confiança, que complementa o trabalho que já fiz a nível de terapia e psicoterapia. Quando a ansiedade aperta, encontrar um sentido maior do que o pânico do momento ajuda-me a criar distância emocional.
O que a investigação diz sobre esta ligação
Não sou só eu a sentir isto. Um estudo publicado na SciELO Portugal sobre meditação mostrou reduções nos níveis de stress e ansiedade em adultos que praticaram regularmente, com efeitos que se mantinham a longo prazo.
Também uma revisão de estudos sobre espiritualidade e saúde mental associa práticas espirituais a menores níveis de ansiedade e maior resiliência psicológica, explicada em parte pelo sentido de propósito e pelo suporte emocional que estas práticas proporcionam.
As práticas que uso no meu dia a dia
A meditação é a base de tudo. Ajuda-me a regular o sistema nervoso quando a ansiedade se ativa, e a criar um espaço entre o pensamento ansioso e a reação automática.
A par disto, tenho pequenos rituais próprios, momentos de silêncio, escrita reflexiva, gratidão pelo que corre bem, mesmo em dias difíceis. Não é sobre seguir um dogma, é sobre criar uma âncora, tal como já descrevi ao falar da minha jornada com o transtorno de ansiedade generalizada.
Escrever um diário reflexivo, onde registo o que sinto e o que agradeço, tem sido uma das práticas mais simples e mais eficazes. Ajuda-me a sair do piloto automático da ansiedade e a perceber padrões.
Como integro isto na rotina
Reservo um espaço, mesmo que pequeno, só para isto, sem telemóvel, sem distrações. A consistência na ansiedade e espiritualidade importa mais do que a duração: cinco minutos todos os dias fazem mais diferença do que uma hora ocasional.
Não é sobre fazer isto na perfeição. É sobre voltar a isto sempre que me esqueço, sem culpa.
Uma ferramenta, não uma solução isolada
A espiritualidade, tal como a vivo, não substitui terapia nem tratamento quando é necessário. A ligação entre ansiedade e espiritualidade funciona, para mim, como mais uma ferramenta na caixa, ao lado de tudo o resto que já partilhei aqui no blog.
Perguntas frequentes sobre ansiedade e espiritualidade
É preciso ter uma religião para a espiritualidade ajudar com a ansiedade?
Não. Na minha experiência, e segundo a investigação disponível, o benefício vem do sentido de propósito e da prática regular, não de uma crença religiosa específica.
A meditação tem mesmo efeito comprovado na ansiedade?
Sim. Estudos mostram reduções nos níveis de stress e ansiedade associadas à prática regular de meditação, com efeitos que se mantêm ao longo do tempo.
A espiritualidade pode substituir terapia ou medicação?
Não. É um complemento, nunca um substituto de tratamento profissional quando este é necessário.
Quanto tempo é preciso dedicar a estas práticas para sentir diferença?
Na minha experiência, a consistência importa mais do que a duração. Poucos minutos diários, feitos com regularidade, fazem mais diferença do que sessões longas e esporádicas na ansiedade e espiritualidade.
O que fazer se esquecer ou falhar a prática por alguns dias?
Voltar, sem culpa. Não é sobre perfeição, é sobre criar um hábito que se reconstrói sempre que é preciso.
Se também procuras algo maior do que o momento de ansiedade, sabes que não estás sozinho nessa procura. Explora mais artigos do Diário de um Ansioso e partilha a tua experiência nos comentários.
