
O termo “hipocondria” foi oficialmente abandonado pela medicina em 2013, quando o DSM-5 o substituiu por dois diagnósticos mais precisos: Transtorno de Sintomas Somáticos e Transtorno de Ansiedade de Doença. Continua a ser usado no dia a dia, mas já não existe como categoria clínica própria há mais de uma década.
Sou hipocondríaco, e ao mínimo sintoma, penso sempre que pode ser algo grave. É esse o comportamento que a medicina hoje chama de ansiedade de doença.
As duas categorias que substituíram a hipocondria
O Transtorno de Sintomas Somáticos aplica-se a quem tem sintomas físicos reais e persistentes que causam grande sofrimento. Já o Transtorno de Ansiedade de Doença aplica-se a quem se preocupa excessivamente com a possibilidade de estar doente, com poucos ou nenhuns sintomas físicos concretos. É esta segunda categoria que, na prática, mais se aproxima do que sempre se chamou de hipocondria.
Não confundir com Ansiedade Generalizada
É importante não confundir isto com o Transtorno de Ansiedade Generalizada. São diagnósticos diferentes: a ansiedade generalizada abrange preocupação com várias áreas da vida, enquanto a ansiedade de doença está centrada especificamente no medo de ter uma doença grave. É possível ter os dois em simultâneo, mas não são a mesma coisa.
O que sinto na prática
Uma dor de cabeça é sempre um possível tumor. Uma pontada no peito é sempre um possível problema físico grave. Segundo o Manual MSD, esta é exatamente a definição clínica: a preocupação com o possível significado do sintoma pesa mais do que o sintoma em si, e o medo é desproporcional à gravidade real da situação.
O diagnóstico só se confirma quando esta ansiedade persiste durante seis meses ou mais, mesmo depois de avaliação médica que descarta doença grave.
Onde está a linha entre preocupação normal e ansiedade de doença
Preocupar-se com a saúde de vez em quando é normal. O sinal de alerta é quando essa preocupação se torna persistente, desproporcional à situação real, e não desaparece mesmo com exames normais e tranquilização médica repetida.
Como se trata
Uma relação de confiança com o médico de família, com consultas regulares, ajuda a quebrar o ciclo de procurar constantemente novas opiniões, algo comum em quem lida com hipocondria. A terapia cognitivo-comportamental continua a ser a abordagem mais eficaz, e antidepressivos como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina também podem ajudar nalguns casos.
Perguntas frequentes sobre hipocondria
Porque é que “hipocondria” já não é usado pela medicina?
Foi considerado um termo pejorativo e impreciso. Desde 2013 foi substituído por Transtorno de Sintomas Somáticos e Transtorno de Ansiedade de Doença.
A hipocondria e a Ansiedade Generalizada são a mesma coisa?
Não. São diagnósticos distintos, embora possam coexistir na mesma pessoa.
Como distinguir preocupação normal de ansiedade de doença?
Pela persistência (mais de seis meses), pela desproporção face à situação real, e pela resistência à tranquilização mesmo depois de exames normais.
Há tratamento para a ansiedade de doença?
Sim, sobretudo terapia cognitivo-comportamental e, nalguns casos, antidepressivos.
É possível ter ansiedade de doença sem nenhum sintoma físico real?
Sim, é aliás o mais comum. O medo está ligado à interpretação de sensações normais, não a sintomas graves reais.
Se és como eu e vives a pensar no pior a cada sintoma, sabes agora que isto tem nome, explicação e tratamento. Explora mais artigos no site sobre ansiedade e partilha a tua experiência nos comentários.
